Sobre drogas e democracia
Ontem ativistas organizados tentaram realizar a Marcha da Maconha.
Tentaram.
Talvez seja hora do movimento organizar resistências. A liberdade de expressão foi cerceada. Ainda que a expressão busque um coro de vozes... Que fossem só vozes, estamos nos prostando em um es.tado um tanto infernal.
Me pergunto se o direito de usar uma "droga" é algo tão simples. Anos atrás eu facilmente diria que que um baseado é só um baseado e nada mais poderíamos fazer disso, mas o que se desenha no território da grande metrópole é um pouco diferente. Pessoas estão dando a cara a tapa e sendo presas por causa de um "baseado" (na verdade muito mais do que isso), e a repressão? baseada em que? Bom perguntar...
O que a polícia nos forçou a ver foi um quadro de Magritte:
Isso não é a marcha da maconha
Transliteração: isso é amostra de um governo cínico. Poder público que de público não tem nada, a não ser os atos circenses para públicos eleitores. Marcha da maconha vira marcha de denúncia da hipocrisia política, de como um governo pode sabotar seus cidadãos. Quando pessoas querem debater sua saída da criminalidade (a retirada de seus atos), querem falar e se manifestar sobre as grosserias de um governo que concilia maior riqueza com maior desigualdade, que encurrala suas populações nas favelas, onde diariamente morrem pessoas que até o momento pouco tinham a ver com a "guerra contra às drogas".
Curioso no Rio de Janeiro ter saído o Habeas Corpus. Talvez lá, o peso da "guerra contra às drogas" faça se sentir melhor sobre os ombros de seus juízes e demais autoridades, talvez a grande metrópole ainda não consiga lidar com o cinismo de sua política.
Assim, a "família brasileira" (como alguns moralistas gostam de chamar) cala mais um filho e persiste em mantê-lo na boca do lixo.
Quem sabe ano que vem, FHC e companhia voltem a usar suas vozes, para marretar em outras esferas, verdades ponderadas, com muitas meias palavras e silêncios nada éticos (de preferência de 4 em 4 anos).
Da dita civilidade à velha barbárie de que nunca saímos.




4 comentários:
pois é, meu velho...
e isso tudo (a postura do poder, a atitude da polícia e etc) independe (pra nós / sociedade) de qual o juízo que damos a respeito
ser contra ou a favor da liberação da maconha ou qualquer outro tipo de substância não significa (ou não deveria significar) não dar voz ao debate e à problematização, à discussão, à alternativa, etc...
Curioso... diz a faixa "A guerra às drogas é uma guerra contra os pobres", mas embora seja de todo uma verdade, não vejo pobres na marcha da maconha, mas a boa e velha classe média e, sobretudo, classe média estudantil exigindo o direito de fumar o seu baseadinho... talvez o chamado da faixa tenha sido uma palavra de ordem para ajuntar pessoas à causa, se estas pessoas eram os pobres, não funcionou... E isto é tudo o que pode o limite de certa forma de consciência: o direito de fumar seu baseado!
Tantos pobres quanto nas vanguardas dos PCs por aí a fora.
Veja só tem um punk e um cabeludo com a camiseta do Raul Seixas. Já é melhor do que todo mundo uniformizado andando em fila.
tenho minhas dúvidas...
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