terça-feira, junho 22, 2010

De Doo Bop a Punx

Hoje, depois de um erro de causalidade nem tão casual, dediquei a tarde sobre um dos emissários de Sloterdijk em uma biblioteca da cidade. Acho que a primeira vez que circulo por São Paulo por mais de 6 horas e não me sinto sozinho.

De manhã, havia decidido assistir ao Instrumental do Sesc Consolaçãoque rolaria no início da noite. Achei que fosse ser tedioso, me veio à mente lembranças da tv sesc com caras punhetando o violão por horas. Mas como na divulgação estava um cara jovem com um trompete na mão, resolvi apostar.

Antes de começar, pensei "pô, poderia ser tipo Doo Bop", pra quem não conhece um cd post mortem do Miles que acho perfeito, foi o primeiro cd de jazz (alguns não admitiriam chamá-lo assim) pelo qual me apaixonei.

Bom, pra quem conhece o sesc, sabe que lá tem muitos velhinhos, os aposentados aproveitam muito bom os serviços, e lá não foi por menos.

A banda entra, o som é bem sujo e combinado, era maravilhoso, lembrei de Doo Bop na hora, e pensei "mais contemporâneo". Enfim, o Sr Guizado manda muito bem. Mas não agrada os sexagenários e septagenários.. Uns 20 saem da sala, um fica ao meu lado direito, e parece apreciar a miha apreciação, frequentemente olhava para minha perna acompanhando o ritmo.

Vai uns vídeos para compararem o que digo:

Miles Davis



Guizado


O senhor, com uma catarata evidente no olho direito e o cabelo bem cortado me perguntava ao final de cada música "que estilo é esse?".

No final, ele disse "diferente né?", só consegui responder "criativo, bem criativo" e saí com um cigarro já em mãos, agraciado pela surpresa de ouvir um jazz diferente e de ver que um homem septagenário decidiu continuar no show, por cogitar aproveitar a música como o cara que estava ao seu lado.

Nenhum comentário:

Related Posts with Thumbnails