domingo, janeiro 09, 2011

Das coisas duras e das finas

Há quem diga que lidar com coisas duras é algo excitante...

Eu não.

Fiquei pensando sobre as coisas duras. Pensei que quando dizemos "foi algo muito duro pra ele", nos referimos a algo que não foi superado, ou ao menos não com facilidade. Lembrei de quando damos uma topada em uma pedra, ou quando batemos o dedo mindinho do pé na quina do sofá. Dói bastante, e o que te machucou, não sai do lugar, continua lá. Às vezes você pode tirar o sofá ou a pedra do lugar, mas a dor permanece por algumas horas, ou alguns dias, ou até um pouco mais.

Também há aquelas coisas duras que não estão só a altura dos nossos pés. Aliás, o chão costuma ser duro e apesar de estar geralmente abaixo de nossos pés, quando estamos com o rosto nele, ele parece mais um muro do que um chão. Um muro sem fim que fica zombando de quem não conseguiu mantê-lo abaixo dos pés.

Ainda há aquelas coisas duras que estão na altura de nossos olhos, que parecem zombar mais do que o chão, pois estavam na altura dos nossos olhos e mesmo assim nos machucou.

Há também as coisas duras que dão muito prazer e cativam o amor, mas estas também são chegadas a uma zombaria e não raro também provocam risos e constrangimentos.

Mas nada dessas coisas são traumáticas, elas são difíceis, mas apesar da zombaria são superáveis. O trauma não é o chão, mas a espinha que se dobra até agulhar a medula, e esta nunca mais cessa de vazar. As agulhas não são necessariamente duras, mas são firmes, o suficiente para nos fazer vazar incessantemente. Às vezes agulhadas são prazerozas e gozamos enquanto nos assistimos vazar, esquentam a superfície do que furam e provam que não é preciso ser grande para afetar alguém. Provam que é preciso ser preciso.

Voltando ao chão, talvez ele não zombe tanto, talvez só devolva aquele olhar duro de quem põe o outro a estremecer em um encontro. Talvez haja formas do corpo emprestar algo ao chão e até pode ser excitante. Já quanto às agulhas não há muito o que fazer, depois que nos atravessa, já não se sabe mais se a dor vem de fora ou de dentro, muito menos para onde se escorre.

3 comentários:

tatiane marchi disse...

vertigem

Um homem qualquer disse...

i like it!

Marcos de Sá disse...

Bem-vindo de volta. Blog devidamente listado na Markitoland. Abraços!

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