segunda-feira, abril 04, 2011

Sobre utopias e crises

Recentemente assisti a documentários sobre crise econômica, capitalismo e o tal movimento Zeitgeist.

"Capitalismo: uma história de amor" do Michael Moore, traz um relato interessante de dentro dos Estados Unidos. A aproximação com a crise vivida pelo cotidiano de alguns americanos é bem interessante, e a marca apelativa dessas tomadas já é marca do diretor. Quero deixar claro que o temo "apelativo" aqui não é utilizado no intuito de detrimento do vídeo. Mas sim, uma característica do documentário, técnica já conhecida em documentários "verdade". Moore mostra a insanidade econômico dos Estados Unidos, a corrupção por tras destes jogos e de uma certa forma demonstra como os americanos mal jogam a favor deles mesmos. Talvez ali, esteja claro o quanto o neoliberalismo economico mal consegue se mostrar patriota ou a favor de seus conterrâneos. E sem dúvida, nenhuma política nacional lava roupa suja em casa. Os problemas sempre escoam pra fora. Moore flerta com o socialismo no documentário, mas termina com um discurso pró-Obama.

Inside Job (trabalho interno), segue por uma outra linha: economiquês do começo ao fim, uma leve pitada de apelo moral - quando aborda os gastos dos grandes empresários com pó e puteiro - mas demonstra alguns pontos interessantes nas filmagens das prensas que os jogadores tomam no momento da crise. A cara deslavada dos gerentes do corretores de ações e a clareza com que demonstram que quando a mais-valia se concentra toda na relação de troca, não há nada mais óbvio do que vender ilusões e armadilhas de enriquecimento fácil. Aqueles eus e concentram na parcela mais rica do jogo sabe que são ladrões, e sabem que sacaneando jogadores na bolsa, estão roubando outros ladrões. Ou seja, para eles, estão ganhando 100 anos de perdão para curtir em suas mansões e iates. Mas ainda sim, o documentário propõe a regulamentação econômica como solução necessária. Desigualdades suavizadas e camadas maiores de ladrões mais corporativistas e organizadas.

Já o filme sobre o movimento Zeitgeist, assisti por dois motivos:
1. Um amigo frequentemente me fala empolgado de suas concepções e ideias.
2. Ao assistir uma palestra do Marxista Sergio Lessa (altamente recomendável):

vi vários comentários de pessoas assinando como do movimento Zeitgeist.

É realmente difícil ter paciência para ver "Zeitgeist: movimeng foward" até o final, o cientificismo do qual os apoiadores dizem se apoiar é realmente discutível. Colocam as utopias políticas todas no mesmo saco. Por três vezes as palavras: comunismo, socialismo, fascismo e capitalismo apareceram na mesma frase e sequenciadas como se fossem a mesma coisa, e o movimento faz questão de se distanciar de tudo isso. diz que as ciências psicológicas, sociais e políticas não são ciências e que a sociedade deve se apoiar nas bases científicas do desenvolvimento tecnológico. A construção desta afirmação se apresenta da maneira mais estranha na seguinte passagem:

"quando se constrói um avião, não há uma maneira socialista, capitalista ou fascista de se construir um avião, simplesmente se constrói algo últil a humanidade"

A tecnologia não diz respeito a política? Recomendaria ao pessoal do Zeitgeist, ler um texto do polímata Ivan Ilich sobre desenvolvimento tecnológico presente no livro "apocalipse motorizado", publicado no Brasil pela Ed. Conrad. Todo desenvolvimento tecnológico revela uma estrutura de funcionamento econômico e político. Um avião nos dias de hoje, não é construído de forma capitalista? Você deseja viajar de primeira classe, classe executiva ou econômica? Recentemente uma empresa de vôos comerciais francesa, no intuito de popularizar os vôos apresentou suas pesquisas para que passageiros de avião possam viajar em pé, escorados em uma plataforma.

O começo do documentário sobreos conflitos sociais, vícios e problemas relacionados a violência eu prefiro não comentar. Diz respeito as passagens a qual me referi que exigem paciência de quem assiste. Todas as soluções para problemas de enorme complexidade em tomadas de 15 minutos de ciência cartesiana. A proposta de construção de cidades como está apresentada é interessante. Mas muitas variáveis são ignoradas neste projeto de "renovação civilizatória".

Talvez estejamos em um período de efervescência de utopias, assim como relatado por Dostoievski em sua obra "Os Demônios" quanto à Rússia no final do século XIX. Porém diferente deste período falta coragem para reconhecer que mudanças radicais não são conduzidas por belas almas (como as máquinas neutras Zeitgeist) e o capitalismo em sua forma devastadora como se tem apresentado, realmente não vai cair de maduro como acredita o pessoal do Zeitgeist ou se tornar o melhor sistema econômico com um pouquinho de regulação estatal.

Um comentário:

Darwin Bruno disse...

Buen Blog, con informaciones, muy interesante.Fue un gusto leerte. seguiré visitándote con tu permiso. Un saludo fraterno amigo y que la Paz quede contigo.

http://socialculturalyhumano.blogspot.com/

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