BRILHO ETERNO DE UMA MENTE SEM LEMBRANÇAS

Depois de séculos sem postar vamos analisar um filme que já foi lançado a séculos mas que ao assistir pela terceira vez escolhi escrever sobre o mesmo.
Uma vez questionei uma professora se a maioria dos diretores de filmes bons eram psicanalistas. Devido as evidências que os mesmos jogam em suas pelícuas eu me perguntava se os caras ficavam lendo Freud antes de elaborar um roteiro. Ela deu risada da minha cara e me lembrou que a psicanálise é que está para os filmes (para a vida cotidiana em si também) e não o contrário.
Enfim, o filme toca fundo numa dorzinha que todos conhecem ou conhecerão, separação, elaboração de luto de uma relação íntima e os problemas da mesma. Acredito que o principal ponto é o da vontade de esquecer a dor. Ignorá-la e seguir em frente, torpe de seu passado. Com certeza este foi um ponto do filme que mexeu muito com as pessoas pelos motivos descritos anteriormente, agora, olhando com minunciosidade para as "tramas" do filme podemos aprender um pouco mais sobre relacionamento do que meramente esquecer. Podemos perceber o nascimento do mesmo, as vontades que impulsionam, os motivos pelos quais as pessoas se unem em comunhão libidinal e muitas vezes até punitivas para que possam seguir em frente. Do que eu estou falando?
Bom, vamos atentar para Joel (Jim Carrey) correndo para salvar suas lembranças de sua ex namorada Clementine (Kate Winslet), os momentos pelos quais Joel volta para "salvá-la" estão intimimanete ligados as questões que o leva a ter alguém como Clementine, um dos pontos mais interessantes é o momento em que demonstra a mãe de Joel cantando "Ó querida Clementina" para reconfortá-lo onde o mesmo posteriormente continuou sendo recofortado por sua "querida clementina". Pensando ainda nas barganhas afetivas que estão embutidas em um enamoramento, Joel ao retomar suas frustrações tem as mesmas acolhidas por sua Clementina, onde em boa parte dos casos os braços da pessoa amada é o lugar mais seguro do mundo onde nos livramos das humilhações passadas, dos fraquejos e tropeços, para nos sentirmos completos e seguros. Demonstrando atambém a contramão frustrante que é o ataque punitivo que muitas vezes a relação comporta para que esta relação mantenha-se simbiótica fazendo o que tanto abalava Augusto dos Anjos "a mesma mão que afaga é a que apedreja, a mesma boca que beija, é a que escarra".
Então fica evidente que a compensação é conscientemente descontrolada, visto que as humilhações e frustações internalizadas também desejam se mostrar de acordo com o que as toca.
Concluindo, podemos pensar que o filme tem um final pra lá de positivo, já que há uma perspectiva que fica em xeque: uma possibilidade de diálogo onde o afeto por mais irracional que seja é "posto para pensar" para que possamos nos permitir a unir e amar alguém que nos faz bem.
Uma vez questionei uma professora se a maioria dos diretores de filmes bons eram psicanalistas. Devido as evidências que os mesmos jogam em suas pelícuas eu me perguntava se os caras ficavam lendo Freud antes de elaborar um roteiro. Ela deu risada da minha cara e me lembrou que a psicanálise é que está para os filmes (para a vida cotidiana em si também) e não o contrário.
Enfim, o filme toca fundo numa dorzinha que todos conhecem ou conhecerão, separação, elaboração de luto de uma relação íntima e os problemas da mesma. Acredito que o principal ponto é o da vontade de esquecer a dor. Ignorá-la e seguir em frente, torpe de seu passado. Com certeza este foi um ponto do filme que mexeu muito com as pessoas pelos motivos descritos anteriormente, agora, olhando com minunciosidade para as "tramas" do filme podemos aprender um pouco mais sobre relacionamento do que meramente esquecer. Podemos perceber o nascimento do mesmo, as vontades que impulsionam, os motivos pelos quais as pessoas se unem em comunhão libidinal e muitas vezes até punitivas para que possam seguir em frente. Do que eu estou falando?
Bom, vamos atentar para Joel (Jim Carrey) correndo para salvar suas lembranças de sua ex namorada Clementine (Kate Winslet), os momentos pelos quais Joel volta para "salvá-la" estão intimimanete ligados as questões que o leva a ter alguém como Clementine, um dos pontos mais interessantes é o momento em que demonstra a mãe de Joel cantando "Ó querida Clementina" para reconfortá-lo onde o mesmo posteriormente continuou sendo recofortado por sua "querida clementina". Pensando ainda nas barganhas afetivas que estão embutidas em um enamoramento, Joel ao retomar suas frustrações tem as mesmas acolhidas por sua Clementina, onde em boa parte dos casos os braços da pessoa amada é o lugar mais seguro do mundo onde nos livramos das humilhações passadas, dos fraquejos e tropeços, para nos sentirmos completos e seguros. Demonstrando atambém a contramão frustrante que é o ataque punitivo que muitas vezes a relação comporta para que esta relação mantenha-se simbiótica fazendo o que tanto abalava Augusto dos Anjos "a mesma mão que afaga é a que apedreja, a mesma boca que beija, é a que escarra".
Então fica evidente que a compensação é conscientemente descontrolada, visto que as humilhações e frustações internalizadas também desejam se mostrar de acordo com o que as toca.
Concluindo, podemos pensar que o filme tem um final pra lá de positivo, já que há uma perspectiva que fica em xeque: uma possibilidade de diálogo onde o afeto por mais irracional que seja é "posto para pensar" para que possamos nos permitir a unir e amar alguém que nos faz bem.

3 comentários:
Que romantico!!! rsrsrs
Acho q o diálogo é uma das bases de um relacionamento...
Ao contrário do filme, não gostaria de apagar nada da minha vida, pq acho q apesar das coisas "ruins", sempre há algo p/ ser aprendido ou bom p/ ficar guardado em nossa lembrança.
Beijos amor...
olá meu caro,
eu gostei desse filme também (acho que vc gostou, não?); a cena que me é mais comum, no meu trabalho como psicanalista, é a corrida para esconder as lembranças, para não esquecê-las. acho que essa é uma característica da memória e da lembrança, para que haja o remetimento, antes, precisamos do esconderijo. no mais: não sei se concordo com a sua professora, não de todo, pois a história do cinema e a da psicanálise se cruzam de muitas formas, inclusive a contemporaneidade de ambas as expressões; no mais (um pouco): como dizia o velho Aristóteles: é impossível não filosofar (depois da invenção da filosofia): pois, para não filosofar já se está filosofando. Acho que a máxima se aplica a psicanálise: quando se foge dela - chega-se a ela pela negação.
Um abração,
Cesar
concordo com as colocações do Cesar, apesar de não ser minha área né?! mas vejo que ele tem razão ao relembrar as origens da Psicanálise e do Cinema, sempre se cruzando, aliás, surgiram praticamente na mesma época
muito bom seu texto, meu velho!! ^^
sem dúvida, só de ler me fez pensar mil coisas
assim como esse filme que tive a felicidade de assistir uma vez... o filme é sensacional e faz-nos pensar sobre a necessidade de protegermo-nos das dores ou se o melhor remédio não é mesmo encará-las e aceitá-las
realmente topar de frente com as dificuldades, prepararmos nosso luto de maneira sincera e transparente quando necessário e de permitir-se, sempre, a um amor, a uma experiência, a uma nova vida ou possibilidade de qlq coisa
permitir-se e aceitar-se
e é o que a Cíntia também disse, não há nada que eu queira apagar de minha memória, pois o que não foi bom, me trouxe aprendizados, senão, um dia entenderei melhor... o que foi bom, guardarei sempre com prazer e realização
de resto? bem, não existe resto...
abraços meu brother!!
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