A VIDA LOTERIA IV
Esse não é o começo, o começo está em alguns posts abaixo, é só seguir a numeração de baixo para cima (dã).
É a última das irmãs a ter a história relatada aqui. Deixei para o final devido ao nosso nível de proximidade, pois custou um pouco para ficar a vontade para relatar esta última.
É a última das irmãs a ter a história relatada aqui. Deixei para o final devido ao nosso nível de proximidade, pois custou um pouco para ficar a vontade para relatar esta última.
La Calle
Não sei quase nada sobre a infância de Elisa, o que sei de sua vida começa com o casamento, Elisa se casou com um Alagoano o seu José, um caminhoneiro que aparentava um tipo que não era mto diferente do seu pai se tratando do "fino trato" com as pessoas, porém ao que contam era uma pessoa calma. Pelo menos na maior parte do tempo.
As histórias são diversas, algumas com fortes contradições de acordo com o parente que conta. Mas o que aconteceu de fato é que o maridão de Elisa se separou da mesma quando o seu filho mais velho (primogenito de três irmãs) tinha onze anos. De acordo com o que Elisa me contou, o moço também não era lá nenhum exemplo de "homem de família", conta que o marido as vezes aparecia com doenças estranhas "naquelas partes" e ela ao ver ,já identificava a origem, e obviamente não ficava nem um pouco saltitante.
Pouco antes da partida de seu marido, é sabido que ela chegou uma noite um pouco alterada em casa, o homem queria que ela o deixase em paz, mas Elisa nunca foi de deixar escapar uma oportunidade para brigar e então depois de escutar bastante o seu José levantou e grudou a esposa pelo espcoço na parede e desferiu uma boa série de socos em sua boca, daqueles que estremecem o crânio e fazem o sangue escorrer da gengiva indiscriminadamente.
Pouco tempo depois quando Elisa chegou em casa, viu o marido tentando "coisas" com sua filha mais velha, que na época deveria ter nove ou dez anos. E aí? Ela sentou e chorou? Não. Chamou a polícia? Não. Os vizinhos? Também não, Elisa que sempre foi muito prática quanto a situação adversas foi em seu quintal e pegou uma foice e foi pra cima do seu José, seu José que conhecia bem a mulher que tinha e a merda que tinha feito só fez correr até garantir que Elisa não o encontrasse mais. Por sinal, foi morar em Alagoas, onde constituiu outra família voltando 16 anos depois para pedir perdão e amor de Elisa tendo como resposta um:
- Enfia suas coisas no rabo e volta pra sua terra, seu filho da puta.
Voltando a época da separação vejamos bem o que temos aqui, uma mulher de aproximadamente 33 anos com 4 filhos trabalhando em um sub emprego, o que você acham que aconteceu?. Não. Ela não virou dona das casas Bahia nem subiu na vida, como os yuppies costumam dizer, isso aqui é Brasil e Brasil bem diferente do que mostra na novela, Elisa passou muita dificuldade com seus filhos e é sabido tacitamente na família que devido as dificuldades enfrentadas ela chegou a se prostituir para sustentar os filhos, nesta época já era certeza que a marvada (vulgo pinga) já era mais presente em sua vida, devido a este ser mais um tabu sei de poucos detalhes, mas sei que assim que seu filho mais velho fez treze anos, passou a ajudar na renda trabalhando onde conseguia, ela e a filha mais velha brigavam com bastante frequência o que geravam frequentes expulsões da jovem adolescente de casa.
Elisa seguiu firme e forte, tomando sua breja e fumando seus dois maços de "campeão" por dia, seus filhos cresceram e constituíram família, devido ao seu jeito peculiar de lidar com as pessoas ficava sem falar com suas irmãs por uns bons anos. Suas filhas que também não reconheciam a legitimidade de seu discurso, muitas vezes mais sensato do que dos demais, nas frequentes festas de família ordenavam que a mesma se calasse ou pelo menos deixasse de ser como era. Em 2002 Elisa teve câncer, o tumor atingiu o estômago, o baço e o pâncreas, foram retirados os dois primeiros e um pedaço do terceiro. Três meses após a cirurgia estava "nova em folha", e por sinal voltou a seus hábitos anteriores, beber sua cerveja e fumar o seu campeão, o que revoltou suas filhas pois para as mesmas era inaceitável que após melhorar de tal cirurgia descuidasse da própria saúde daquela maneira
Eu que nunca me meti muito apesar de levarmos longas conversas lhe perguntava:
- Não pensa em parar? - Eu questionava sutilmente.
- eu vo morrer mesmo fí.
- Mas dessa forma está acelerando o processo. - ó eu de novo sendo sutil.
- Que se foda fí, tem gente que não acelera e vai mais cedo.
Bom, sem me prolongar demais que isso aqui tá ficando muito grande, Elisa faleceu dia 24 de dezembro de 2006, Ela vinha sofrendo de um problema na perna a mais de dez anos da popularmente chamada "trombose" devido ao estágio da doença estar avançado, foi cogitado pela equipe médica do hospital na qual estava a amputação de sua perna ruim. Porém as vesperas da possível cirurgia Elisa teve um surto delirante em seu leito e as enfermeiras do hospital não sabendo como segurar a bucha pediram que sua filha a levasse para casa, na manhã seguinte teve um derrame e sua pressão ficou instável para que a mesma fosse submetida a cirurgia, permaneceu em coma durante alguns dias até a data citada acima, onde sua morte seu deu pelo problema da perna ter sido espalhado por todo o corpo.
Elisa foi enterrada as pressas devido a data ser vespera de natal, seu velório que durou pouco tempo teve a presença de boa parte dos parentes. O clima durante o natal foi de luto, talvez em seu respeito, talvez não. Foi ironico sua morte acontecer numa data onde sempre a mandavam calar a boca, talvez o silêncio daquela noite tenha sido mil vezes mais pertubador do que seus palavrões proferidos durante a ceia como nos anos anteriores.
Quando a mesma morreu publiquei um post que apresenta um FueGo_ indignado e confuso que por sinal tive dificuldade de lidar ao reler suas palavras carregadas e emputecidas. Talvez as coisas nos surpreendam, bem de pertinho.
é isso ae.
Abracitos mil..
As histórias são diversas, algumas com fortes contradições de acordo com o parente que conta. Mas o que aconteceu de fato é que o maridão de Elisa se separou da mesma quando o seu filho mais velho (primogenito de três irmãs) tinha onze anos. De acordo com o que Elisa me contou, o moço também não era lá nenhum exemplo de "homem de família", conta que o marido as vezes aparecia com doenças estranhas "naquelas partes" e ela ao ver ,já identificava a origem, e obviamente não ficava nem um pouco saltitante.
Pouco antes da partida de seu marido, é sabido que ela chegou uma noite um pouco alterada em casa, o homem queria que ela o deixase em paz, mas Elisa nunca foi de deixar escapar uma oportunidade para brigar e então depois de escutar bastante o seu José levantou e grudou a esposa pelo espcoço na parede e desferiu uma boa série de socos em sua boca, daqueles que estremecem o crânio e fazem o sangue escorrer da gengiva indiscriminadamente.
Pouco tempo depois quando Elisa chegou em casa, viu o marido tentando "coisas" com sua filha mais velha, que na época deveria ter nove ou dez anos. E aí? Ela sentou e chorou? Não. Chamou a polícia? Não. Os vizinhos? Também não, Elisa que sempre foi muito prática quanto a situação adversas foi em seu quintal e pegou uma foice e foi pra cima do seu José, seu José que conhecia bem a mulher que tinha e a merda que tinha feito só fez correr até garantir que Elisa não o encontrasse mais. Por sinal, foi morar em Alagoas, onde constituiu outra família voltando 16 anos depois para pedir perdão e amor de Elisa tendo como resposta um:
- Enfia suas coisas no rabo e volta pra sua terra, seu filho da puta.
Voltando a época da separação vejamos bem o que temos aqui, uma mulher de aproximadamente 33 anos com 4 filhos trabalhando em um sub emprego, o que você acham que aconteceu?. Não. Ela não virou dona das casas Bahia nem subiu na vida, como os yuppies costumam dizer, isso aqui é Brasil e Brasil bem diferente do que mostra na novela, Elisa passou muita dificuldade com seus filhos e é sabido tacitamente na família que devido as dificuldades enfrentadas ela chegou a se prostituir para sustentar os filhos, nesta época já era certeza que a marvada (vulgo pinga) já era mais presente em sua vida, devido a este ser mais um tabu sei de poucos detalhes, mas sei que assim que seu filho mais velho fez treze anos, passou a ajudar na renda trabalhando onde conseguia, ela e a filha mais velha brigavam com bastante frequência o que geravam frequentes expulsões da jovem adolescente de casa.
Elisa seguiu firme e forte, tomando sua breja e fumando seus dois maços de "campeão" por dia, seus filhos cresceram e constituíram família, devido ao seu jeito peculiar de lidar com as pessoas ficava sem falar com suas irmãs por uns bons anos. Suas filhas que também não reconheciam a legitimidade de seu discurso, muitas vezes mais sensato do que dos demais, nas frequentes festas de família ordenavam que a mesma se calasse ou pelo menos deixasse de ser como era. Em 2002 Elisa teve câncer, o tumor atingiu o estômago, o baço e o pâncreas, foram retirados os dois primeiros e um pedaço do terceiro. Três meses após a cirurgia estava "nova em folha", e por sinal voltou a seus hábitos anteriores, beber sua cerveja e fumar o seu campeão, o que revoltou suas filhas pois para as mesmas era inaceitável que após melhorar de tal cirurgia descuidasse da própria saúde daquela maneira
Eu que nunca me meti muito apesar de levarmos longas conversas lhe perguntava:
- Não pensa em parar? - Eu questionava sutilmente.
- eu vo morrer mesmo fí.
- Mas dessa forma está acelerando o processo. - ó eu de novo sendo sutil.
- Que se foda fí, tem gente que não acelera e vai mais cedo.
Bom, sem me prolongar demais que isso aqui tá ficando muito grande, Elisa faleceu dia 24 de dezembro de 2006, Ela vinha sofrendo de um problema na perna a mais de dez anos da popularmente chamada "trombose" devido ao estágio da doença estar avançado, foi cogitado pela equipe médica do hospital na qual estava a amputação de sua perna ruim. Porém as vesperas da possível cirurgia Elisa teve um surto delirante em seu leito e as enfermeiras do hospital não sabendo como segurar a bucha pediram que sua filha a levasse para casa, na manhã seguinte teve um derrame e sua pressão ficou instável para que a mesma fosse submetida a cirurgia, permaneceu em coma durante alguns dias até a data citada acima, onde sua morte seu deu pelo problema da perna ter sido espalhado por todo o corpo.
Elisa foi enterrada as pressas devido a data ser vespera de natal, seu velório que durou pouco tempo teve a presença de boa parte dos parentes. O clima durante o natal foi de luto, talvez em seu respeito, talvez não. Foi ironico sua morte acontecer numa data onde sempre a mandavam calar a boca, talvez o silêncio daquela noite tenha sido mil vezes mais pertubador do que seus palavrões proferidos durante a ceia como nos anos anteriores.
Quando a mesma morreu publiquei um post que apresenta um FueGo_ indignado e confuso que por sinal tive dificuldade de lidar ao reler suas palavras carregadas e emputecidas. Talvez as coisas nos surpreendam, bem de pertinho.
é isso ae.
Abracitos mil..

Um comentário:
=O
_isso basta.
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